Acontece com o melhor: deixa cachorro em lodge canino, animal desaparece e acaba pagando uma conta de 15 mil euros

O episódio teve lugar no Pet Membership, um lodge para cães no Porto. O dono do estabelecimento nega qualquer responsabilidade pelo ocorrido e alega que os ladrões de identidade desconhecida são os culpados.

Valter Maia planejava ir de férias para Barcelona com a esposa, onde aproveitaria para assistir ao casamento de um amigo. Poucos dias antes da partida, em agosto do ano passado, ele planejou detalhadamente a viagem, com exceção de um native onde poderia deixar Pitufo, um dos três cães do casal.

Após uma grande busca pelas redes sociais, encontramos este espaço”diz Valter Maia à CNN Portugal e à TVI, referindo-se ao Pet Membership, um lodge para cães na Rua do Monte dos Burgos, no Porto.

Assim, o engenheiro informático de 34 anos partiu para Barcelona no dia 13 de agosto. À chegada a Espanha, tudo parecia correr bem com Pitufo em Portugal:

O lodge estava sempre nos enviando vídeos e fotos dele saindo com outros animais, o que period uma coisa muito rara de acontecer.”

No entanto, 48 horas e uma mensagem do lodge canino pedindo para Valter ligar de volta foram suficientes para arruinar completamente as férias de verão.

Eu ligo e a senhora diz ‘olha, obrigado por nos contatar, mas eu realmente não sei onde seu cachorro está.

Valter Maia e sua esposa dizem que entraram em pânico. Sem se aperceberem exactamente do que tinha acontecido ao cão, mas sem grandes armas para poderem ajudar dada a distância, correram para o aeroporto de Barcelona e compraram o primeiro voo com lugares disponíveis para a cidade do Porto.

Gastei praticamente 800 euros nos dois voos, o meu e o da minha esposa”diz Valter Maia à TVI/CNN Portugal.

Poucos minutos antes do embarque, mas poucas horas depois de ser notificado do desaparecimento do animal, Valter recebeu uma chamada do Centro Hospitalar Veterinário do Porto. O cão foi finalmente encontrado, junto ao Hospital da Prelada, perto do Norte Buying, a apenas 900 metros do lodge onde estava hospedado. No entanto, as notícias estavam longe de ser as melhores.

O cachorro foi atropelado na VCI, que é uma by way of de trânsito intenso. Ele foi encontrado atropelado e entretanto um casal ajudou a pessoa que o atropelou a transportá-lo para o hospital veterinário”diz Valter Maia, com alguma emoção.

Valter e sua esposa partiram de Barcelona para o Porto no dia 15 de agosto. Aterraram no aeroporto Francisco Sá Carneiro ao início da tarde, de onde partiram em grande velocidade para o hospital veterinário. Lá, eles encontraram o cachorro entre a vida e a morte, mas esperando por ele não havia um funcionário nem um responsável pelo lodge para cães do qual Pitufo havia desaparecido.

Após cerca de 30, 40 minutos, aparece um homem, que se identifica como o dono do lodge, chamado Daniel Cunha. E eu disse ‘aqui está um termo de responsabilidade para assinar, para iniciar os tratamentos do animal e todos os pagamentos relacionados aos tratamentos’. Ele se recusa a assinar e diz que não é sua responsabilidade.”relata, indignado, Valter Maia.

O engenheiro de TI não está satisfeito com o fato de o representante do lodge negar a responsabilidade pelo desaparecimento e consequente acidente com o animal. No entanto, Daniel Cunha, o chefe do lodge canino, tem legitimidade para recusar a culpa?

Quando vamos a um lodge deixar um animal, cabe ao dono do lodge substituir o dono e ter o mesmo dever de cuidar, o mesmo dever de cuidar daquele animal que o dono teria. Assim, se houve incumprimento do dever de vigilância, se, de facto, não foram criadas as condições para manter o animal seguro e impedi-lo de sair do lodge, bem, quem cobrou um serviço, prestou esse serviço com defeito e, portanto, terá que responder pelos danos daí decorrentes”considera Paulo Veiga e Moura, advogado especializado em direito administrativo.

O certo é que o responsável pelo lodge canino acabou deixando o hospital veterinário sem assinar o termo de responsabilidade e, portanto, sem assumir qualquer culpa.

Começou assim uma odisseia de praticamente um mês de internamento de Pitufo, primeiro no Centro Hospitalar Veterinário do Porto, depois no Hospital Veterinário da Trofa, sempre sem qualquer garantia de recuperação ou sobrevivência. Valter Maia sempre ficou ao lado de Pitufo, e todos os dias ele ia ao hospital visitar o bichinho.

Pitufo é um membro da família para ele. Pitufo é um membro da família, não vale a pena. Pode chocar algumas pessoas, mas é o que é, é como um filho para ele”, conta à TVI/CNN Portugal Sérgio Costa, amigo de Valter.

O cachorro passou seu aniversário no hospital e teve que ser operado várias vezes. Enquanto isso, o dono do animal não desistiu de encontrar responsabilidades pelo ocorrido. Ele foi até a sede do lodge para cães, mas o responsável novamente negou a culpa e se recusou a assumir quaisquer despesas relacionadas aos tratamentos de Pitufo. Daniel Cunha, o responsável, insistiu que não tinha culpa porque na noite em que o cão desapareceu, o espaço foi assaltado. Para o proprietário, a culpa é dos ladrões, de identidade desconhecida, que apenas roubaram o cão num espaço comercial de dimensão considerável e que inclui uma loja com produtos veterinários.

Diremos que ainda é estranho que tenha havido um assalto no lodge apenas para libertar um cachorro. Porque se é a única coisa que desaparece, a única coisa que permanece aberta é na verdade o lugar onde o cachorro estava, temos que concordar que é mais uma coincidência e, portanto, os ladrões certamente não foram lá para abrir uma porta porque sentiram pena do animal, para que o animal saísse para a rua”.considera o advogado Paulo Veiga e Moura.

Sérgio Costa, amigo de Valter, avisa que, para haver furto, ele teve que ser denunciado à Polícia de Segurança Pública. Aliás, a intrusão em propriedade privada, que teria sido feita através de um terreno atrás do lodge, foi denunciada à PSP. No entanto, conforme evidencia a reportagem a que Aconteceu ao Melhor teve acesso, os agentes só foram chamados ao lodge para cães às 14h00 do dia 15 de agosto, praticamente meio dia após o desaparecimento de Pitufo e já depois de ter sido encontrado atropelado. e em estado crítico.

Se você for assaltado agora, vai chamar a polícia agora, não vai ligar amanhã, vai?”pergunta, com alguma desconfiança, Sérgio Costa.

Para Valter Maia, dono do cachorro, não há grandes dúvidas de que o que aconteceu com Pitufo foi um descuido, que acabou em um grave acidente.

Na minha teoria, o cachorro saiu de lá pela porta principal por descuido e acabou sendo atropelado mais de 1 km à frente.”

Ainda assim, mesmo que o roubo tenha sido uma realidade, o furto não parece anular a responsabilidade do proprietário do Pet Membership.

O dono do lodge terá de responder perante o dono do cão, pelos danos que tenham causado a esse animal ou que esse animal tenha causado a terceiros e, posteriormente, eventualmente, poderá repercutir os danos e o que ele pagou ao dono do animal, se um dia eu conseguir encontrar os ladrões que foram lá para libertar o cachorro ou roubar o cachorro”conclui o advogado Paulo Veiga e Moura.

Entre operações, internações, fisioterapia, medicamentos e viagens, Valter gastou quase 15 mil euros. No entanto, para tentar recuperar o valor, ele entrou com uma ação felony e cível contra o lodge e seus responsáveis.

Acontece com a Finest entrou em contato com o dono do lodge para cães, ou melhor, com o dono. Afinal, quem dirige o Pet Membership é a esposa de Daniel Cunha, o homem que antes de Valter sempre se apresentava como responsável. Por telefone, Raquel Moura recusou uma entrevista, mas insistiu na tese do roubo, que continua a ser um mistério indecifrável, já que o proprietário garante que o lodge não dispõe de câmaras de videovigilância.

No entanto, imagens captadas pela equipa da TVI/CNN Portugal, do exterior do estabelecimento, mostram câmaras e avisos sobre o sistema de videovigilância a todos os que por ali passam.

Raquel Moura finalizou a ligação dizendo que se ela tiver que pagar pelos tratamentos do cachorro, ela vai pagar, mas apenas por decisão do juiz.

Eu sempre coloco isso nessa situação… Se Valter não tivesse dinheiro, ele não teria um cachorro hoje. O cachorro foi muito, muito maltratado”.conclui Sérgio Costa, amigo de Valter Maia.

Após a gravação desta reportagem, o Pet Membership fechou e deu lugar a um novo lodge para cães, com o nome Tremendous R Canine Membership. A TVI/CNN Portugal não conseguiu apurar se existe algum tipo de ligação entre os atuais proprietários e Raquel Moura, ex-proprietária do espaço.

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