Eduardo Sucupira: A busca incessante pela beleza “perfeita e perfect” |


Eduardo Sucupira é cirurgião, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) e da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS)divulgação

Publicado em 18/08/2022 05:00

Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica mostram que mais de 1,5 milhão de procedimentos estéticos são realizados no Brasil todos os anos, número que, no mínimo, chama a atenção para um setor em plena turbulência. Esse número se deve principalmente ao aumento da busca por intervenções cirúrgicas de cunho estético.

São vários os procedimentos procurados hoje: aumento ou redução de mama, aumento de nádegas, blefaroplastia (que consiste na retirada do excesso de pálpebras), toxina botulínica (Botox®), aumento de lábios, remoção de gordura localizada e rinoplastia (melhoria da estrutura do nariz).

Alguns indivíduos passam por essas intervenções para se adaptarem ao padrão de beleza atual, que muitas vezes é alterado em um curto período de tempo. Enquanto no passado demoravam décadas ou mesmo séculos para que esse padrão fosse modificado, hoje os padrões estão em constante mudança, além dos requisitos para se alcançar uma beleza “perfeita e perfect”.

A filosofia da cirurgia plástica é restaurar a função, gerar bem-estar, contribuir favoravelmente para a autoimagem do indivíduo, filosofia que é diretamente contrária à venda de fantasias e ilusões realizada por “comerciantes” desqualificados que muitas vezes colocam a vida de outros em risco.

As ocorrências atuais de erros e óbitos em procedimentos estéticos e o aumento e sofisticação dos “golpes na cirurgia plástica”, chamam a atenção para a necessidade de escolha criteriosa do profissional, esclarecimento do paciente sobre possíveis riscos e cuidados pós-operatórios. Procedimentos cosméticos invasivos ou cosmiátricos devem ser realizados por médicos especialistas.

A busca incessante pela “forma perfect de beleza” revelou a face mais perversa do mundo da beleza, como o aumento dos problemas de saúde física e psychological. Distorções físicas e até mesmo mortes são o resultado de uma impropriedade contemporânea doentia.

Sem limites, essas transformações acabam por transformar o corpo em objeto de valorização, ou talvez, de depreciação coletiva. A individualidade se desfaz.

O trabalho de um cirurgião habilidoso não se restringe ao procedimento em si; é necessário compreender as expectativas de cada paciente, suas motivações para realizar o procedimento e seu momento de vida. Também é elementary garantir que o paciente realmente se beneficiará desse planejamento cirúrgico e, por fim, deixar claro que a beleza é múltipla. Não aceita padrões, é incomparável!

A busca equilibrada da beleza é sensata e legítima. Não pode ser banalizado! Sentir-se bem, cuidar da sua aparência, da sua autoestima é dever de todos. Não se deixe influenciar por estereótipos e versões “filtradas”. Sua identidade é única e deve ser preservada a todo custo. A beleza genuína está na sua individualidade.

Eduardo Sucupira é cirurgião, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) e da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS)

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