Finanças do Corinthians em 2021: sob nova direção, desempenho futebolístico melhora, mas crise financeira continua grave | negócios esportivos

– Sem pensar em título, seria saber que conseguimos colocar a parte financeira em ordem, que o Corinthians não tem mais nenhum tipo de dificuldade em honrar suas dívidas. Não que tenhamos a dívida paga, porque isso é praticamente impossível de acontecer nos próximos dois anos, mas que o próximo presidente leve o clube com a parte financeira mais saudável – respondeu o dirigente.

Duilio disse várias vezes ao longo da entrevista que os números mais recentes do balanço, referentes a 2021, mostrariam que o trabalho começou a dar frutos. O dirigente vem reestruturando o clube desde que assumiu o cargo, com o apoio de consultorias como Falconi e KPMG.

O ge analisa as últimas demonstrações financeiras, citadas por Duilio na época da entrevista, para verificar a situação das finanças do Alvinegra. Este relatório faz parte da série anual sobre as finanças do futebol brasileiro, com números correspondentes ao ano passado.

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Finanças do Corinthians — Foto: Infoesporte

Um olhar mais abrangente sobre as contas do Corinthians mostra um quadro preocupante. A relação entre receita (tudo arrecadado a cada ano) e endividamento (o que havia para pagar no último dia de cada ano) mostra dificuldades em honrar os compromissos.

Embora o clube Parque São Jorge tenha elevado sua receita em 2021, com alguns motivos de felicidade, as dívidas continuam em um patamar muito difícil de lidar – tanto em seu valor bruto, R$ 1 bilhão, como pode ser apurado através do detalhamento.

Um detalhe: a diretoria alvinegra diz que reduziu seu endividamento no ano passado de R$ 949 milhões para R$ 912 milhões. A diferença de números é explicada pelo cálculo adotado. Na série ge, a dívida é igual ao complete das obrigações, menos o valor disponível em dinheiro.

A relação entre receitas e dívidas do Corinthians

Fonte: Demonstrações financeiras

Fato comum a todos os clubes, o Corinthians registrou direitos de transmissão acima do que teria em circunstâncias normais, por conta da pandemia. Como o Campeonato Brasileiro de 2020 só terminou em 2021, parte relevante de seus pagamentos foi adiada para o próximo balanço, o que dificulta um pouco a leitura.

As consequências dessa contabilização são variadas. É preciso avaliar com cautela o crescimento da receita de transmissão, por exemplo, porque os últimos dois anos foram prejudicados por essa anomalia. Além disso, por ter um valor atípico no faturamento, o resultado líquido (lucro ou prejuízo) do exercício foi puxado.

Também nessa linha, que inclui prêmios e pagamentos condicionados ao desempenho, o Corinthians verá em breve os resultados dos recentes investimentos para melhorar o futebol. Em 2021, o clube conquistou a quinta colocação no Brasileirão e uma vaga na Libertadores. Financeiramente, ambas as competições renderão muito mais em 2022.

Perfil de faturamento do Corinthians em 2021

Fonte: Demonstrações financeiras

Na área comercial e de advertising, há um destaque positivo. No ano passado, o Corinthians quase dobrou sua receita com patrocínios e licenciamentos, em relação à temporada anterior, e despontou como um dos clubes que mais faturam nessa linha.

Há apenas um asterisco em relação aos patrocínios. Nessa receita, o clube respondeu por cerca de R$ 18 milhões referentes ao contrato com o Taunsa. No entanto, a empresa não efetuou os pagamentos e, hoje, está sendo cobrada pela diretoria alvinegra. Ou seja, o valor aparece corretamente no faturamento, mas não chegou à conta bancária, pois houve inadimplência.

Nas receitas relacionadas aos torcedores, como bilheterias e torcedores, o clube ainda é afetado pela pandemia, pois não conseguiu receber torcedores na Area Neo Química durante boa parte de 2021.

Com o passar da pandemia e também após a reestruturação do negócio de estádios – que envolve a renegociação da dívida com a Caixa e a alocação dessas receitas – surge a necessidade do Corinthians melhorar significativamente sua atuação nessa área. Com a segunda maior torcida do país, o clube está atrás dos principais adversários.

Por fim, nas transferências de atletas, houve uma redução significativa em relação ao ano anterior. A associação havia obtido R$ 126 milhões líquidos (após deduções por participações e comissões de terceiros) em 2020, e esse valor caiu para R$ 27 milhões em 2021.

Em todos os textos sobre finanças, o ge faz a comparação entre orçamento e demonstrações financeiras. A ideia é colocar em paralelo as projeções feitas pelos diretores e os resultados obtidos por eles após um ano. Neste caso, não será possível. O clube não divulgou o orçamento.

Na análise do endividamento, os números gerais ainda são assustadores. O Corinthians arrematou a dívida em R$ 1 bilhão. Embora o valor complete tenha se estabilizado e haja boas notícias, como renegociações bem-sucedidas, o cenário ainda é bastante desafiador.

Ao classificar essas obrigações por vencimento, R$ 564 milhões são pagos no curto prazo, ou seja, em menos de um ano. Esses credores esperam receber do clube em 2022.

O Corinthians não chega a tanto em termos de receita e ainda tem todos os seus custos a pagar, então é seguro dizer que será impossível cumprir todos os compromissos. A solução será renegociar prazos, buscar dinheiro emprestado, rolar a dívida, para que possa ser paga depois.

Perfil do endividamento do Corinthians por vencimento

Fonte: Demonstrações financeiras

Diante das necessidades financeiras, o Corinthians vem transformando dinheiro em empréstimos. Somente em 2021, foram R$ 158 milhões em novos créditos, enquanto os pagamentos de empréstimos anteriores totalizaram R$ 181 milhões. É função do departamento financeiro organizar o fluxo de caixa e atender as demandas, na medida do possível.

Nessa parte bancária, o clube deve a instituições financeiras como Daycoval, BMG, Bradesco e Santander. E também há pendências com dirigentes da bola, como Giuliano Bertolucci, Carlos Leite e André Cury. Giuliano foi o mais benevolente em aceitar o pagamento somente após 2023.

Em relação aos tributos não pagos no passado, a diretoria alvinegra assinou um novo acordo com o governo, por meio do Programa Emergencial de Recuperação do Setor de Eventos (Perse). No complete, foram renegociados R$ 187 milhões. A reorganização desses pagamentos foi importante para aliviar os encargos de curto prazo e alongá-los.

Além dessa renegociação mais recente, ainda há parcelamento de impostos through Profut. A soma de todos esses valores ultrapassa R$ 400 milhões, a parte mais pesada da dívida coríntia.

Na área trabalhista, o Corinthians deu um salto. O valor devido em salários e encargos trabalhistas ainda é expressivo, mas os direitos de imagem foram reduzidos em mais de R$ 74 milhões entre 2020 e 2021. A redução dessa dívida tem impacto direto no vestiário, pois são os jogadores do elenco principal que estão do outro. lado da mesa de negociação.

Por fim, no quadro abaixo, a coluna “outros” reúne fornecedores de produtos e serviços, clubes dos quais a diretoria adquiriu jogadores a prazo e agentes. O valor é muito alto e vem crescendo ano após ano.

Perfil do endividamento do Corinthians por tipo em 2021

Fonte: Demonstrações financeiras

Duilio Monteiro Alves assumiu a presidência do Corinthians em 2021. O legado de seu antecessor foi negativo em vários aspectos. Andrés Sanchez vendeu os naming rights e avançou na reestruturação do negócio do estádio, mas, no clube, deixou a dívida subir a um nível muito perigoso e teve decisões e resultados contestáveis ​​em campo. Duilio o acompanhou ao longo desta jornada, como seu diretor de futebol.

Em seu primeiro ano como presidente, Duilio criou uma estratégia que é comum na história do futebol e nem sempre funciona. Ele faria investimentos para qualificar a equipe, na expectativa de que bons resultados ajudassem a puxar receita, o que, por sua vez, melhoraria a capacidade de pagamento de dívidas. Em teoria, funcionaria assim.

Essa filosofia foi colocada em prática com reforços como Paulinho, Willian, Giuliano e Róger Guedes. Nem todos custaram para serem contratados, mas todos vieram com altos salários e imagens. Por mais que as demissões tenham ajudado a compensá-los, a folha de pagamento está em R$ 234 milhões, a quinta maior do país. A estratégia também tem custos.

Na prática, o que se vê depois de 2021 é que a esfera esportiva realmente melhorou. A quinta colocação no Campeonato Brasileiro aumentou o repasse financeiro, na parte ligada ao desempenho, e colocou o clube na Libertadores 2022, com prêmios em dólar que fazem a diferença no orçamento. Financeiramente, este projeto precisa se provar.

Olhando todos os números com otimismo, é possível concluir que há mérito em não deixar a crise piorar. E somente. O Corinthians não conseguiu reduzir seu endividamento, não conseguiu melhorar seu perfil em termos de prazos de pagamento e não registrou uma receita alta o suficiente para iniciar a recuperação financeira.

Acreditar que as coisas estão indo bem como estão é muito otimista. Mais cedo ou mais tarde, com demandas de credores, acompanhadas de ações judiciais, execuções e bloqueios de verbas, o clube terá que enfrentar a realidade. Jogadores básicos precisarão ser vendidos, ou pessoas relevantes deixarão o time titular, ou será difícil manter os salários em dia. De uma forma ou de outra, o desempenho de campo estará em risco.

Duilio ainda tem tempo. Ele está agora na metade de seu governo, tendo twister públicos os resultados de apenas uma temporada, na qual houve desafios adicionais por causa da pandemia. Se o técnico quiser cumprir o que disse a Milton Leite naquela entrevista, chegar ao fim do mandato com o Corinthians reorganizado e saudável, precisará ter anos extraordinários, fora de campo, em 2022 e 2023.

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