Muito além da cópula: curiosidades sobre a paternidade animal – Vida de Bicho

Os micos-leões costumam dar à luz gêmeos, e pai e mãe se separam para cuidar dos filhotes (Foto: Canva/CreativeCommons)

No mundo animal, quando se trata de cuidar dos filhotes, a importância da figura materna é inegável. Aliás, é comum que muitas pessoas alimentem a imaginação de que, entre os animais, o pai só participa da cópula, deixando todas as responsabilidades pela prole para a fêmea. No entanto, não é necessariamente assim que a dinâmica funciona.

Segundo Priscila Prudente do Amaral, coordenadora do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres, é difícil dizer categoricamente que a mãe tende a cuidar mais dos filhotes. Para isso, seria necessário fazer uma comparação entre todas as espécies.

“O que sabemos é que, para muitos animais, os pais também são essenciais nessa hora, se revezando, defendendo o ninho e até levando comida para a mãe”, diz Priscilla.

pai, o protagonista

É o cavalo-marinho macho que engravida (Foto: Canva/CreativeCommons)

É o cavalo-marinho macho que engravida (Foto: Canva/CreativeCommons)

Casos emblemáticos são o pinguim – o pai incuba o ovo, enquanto a fêmea faz uma jornada de meses em busca de comida – e o cavalo-marinho – é o macho que engravida, e não a fêmea.

Há até espécies em que as mães não cuidam dos ovos ou dos filhotes: o trabalho termina assim que os ovos são postos. “Depois o pai incuba e depois cuida dos pequenos. Exemplos disso são avestruzes, emas, macucos, entre outros”, comenta Priscilla. Nesses casos, as fêmeas podem ser fecundadas por vários machos, e um mesmo macho pode cuidar dos ovos de várias fêmeas.

Segundo o profissional, entre as emas (ema americana), o macho incuba os ovos, permanecendo neles constantemente por 30 dias. Após a eclosão, eles permanecem com os filhotes por até seis meses.

“Os machos em azulona (Tinamus tao) incubam os ovos e os cobrem com folhas à medida que saem do ninho, para que fiquem escondidos dos predadores. Quando os filhotes nascem, eles são protegidos pelo pai e até sobem nas costas dele por segurança”, conta Priscilla.

No caso do pica-pau (Heliornis fulica), tanto a mãe quanto o pai cuidam da prole, mas apenas o macho possui uma espécie de bolso atrás das asas, onde os filhotes podem se alojar e serem levados durante voos curtos.

Os zogues são monogâmicos e os machos participam dos cuidados com os filhotes (Foto: Wikimedia Commons/Bart van Dorp/CreativeCommons)

Os zogues são monogâmicos e os machos participam dos cuidados com os filhotes (Foto: Wikimedia Commons/Bart van Dorp/CreativeCommons)

pais presentes

E não para por aí: entre os primatas Callicebinae, como sauás, guigose e zogues, que formam casais monogâmicos de longa duração, o pai assume grande parte do trabalho de criação da prole. “Eles carregam os filhotes a maior parte do tempo para que as fêmeas/mães tenham melhores condições de se alimentar e produzir leite para a amamentação”, diz. Luciana Paccaanalista ambiental do ICMBio.

O especialista lembra que essa ajuda é essencial no caso de espécies em que geralmente nascem gêmeos — como micos, micos-leões e saguis. Como há apenas uma mãe, o pai cuida do segundo filho, o que garante que ambos recebam a devida atenção e que a mãe possa amamentar tranquilamente.

O peixe-boi de Netuno era muito dedicado a cuidar de seus filhotes (Foto: Canva/CreativeCommons)

O peixe-boi de Netuno period muito dedicado a cuidar de seus filhotes (Foto: Canva/CreativeCommons)

Entre os peixes, um caso curioso foi observado em cativeiro, na base de reabilitação do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (ICMBio/CMA), em Itamaracá. O peixe-boi de Netuno permaneceu perto da mãe por dias antes de ela dar à luz e, depois que o filhote nasceu, não deixou ninguém se aproximar dele.

“Quando ele foi separado da mãe e do filhote, ele passou o dia debruçado na beira da piscina, como se estivesse cuidando dos dois. Quando eles voltavam, ele ficava perto do filhote constantemente”, lembra. Fábia de Oliveira Lunacoordenador do CMA.

É importante ressaltar que a estratégia adotada por cada espécie é a que se mostrou mais eficaz durante o processo evolutivo. Portanto, não existe um caminho “certo” ou “errado”, apenas aquele que funciona melhor para cada animal.

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